Agricultura na história familiar

A agricultura faz parte da história da família da produtora rural, Márcia Scalco Fauth, tanto do lado materno como paterno. A propriedade foi herdada de seu pai, Sady Fauth, que por sua vez herdou de seu avô, Alcindino Fauth. Conheça, nesta edição do Informativo do Sindicato Rural de Passo Fundo, a trajetória desta família que teve sua propriedade aumentando com a aquisição de novas áreas.
“Desde criança, mexer na terra foi uma das brincadeiras prediletas e cursar Agronomia foi uma opção natural. Sempre vi meu pai, tios, primos e outros agricultores tirando o sustento da família da lavoura e isso influenciou minha escolha”, conta Márcia que começou a trabalhar com o pai em 2002, quando ainda era explorada a agricultura e a pecuária. “Com o pai e o Flávio (seu irmão), que me ajuda na tomada de decisões, optamos por nos dedicar somente à agricultura, abrindo lavoura nas áreas antes destinadas à criação de gado. Aprendemos a cuidar da natureza a respeitando, jamais secando banhados ou destruindo as matas. A preservação também nos foi dada como herança”, diz.
A propriedade de Márcia Fauth tem 630 há, localizados em Coxilha e Passo Fundo. São 500 há destinados ao plantio de soja no verão e trigo, cevada e aveia no inverno. O plantio do milho está temporariamente abandonado, mas a expectativa é de que esta cultura tenha melhores incentivos para que seja retomada a prática da rotação de culturas, que agronomicamente é a melhor opção.
Com o falecimento do pai, em 2010, coube à família continuar tocando a propriedade. A administração é feita por Márcia, sempre com o auxílio de Flávio. Nada é feito sem conversarem e decidirem juntos. Sua mãe, Adelle, também faz a parte dela, a acompanhando no vai e vem das idas à granja, e claro, com sua apetitosa comida.

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Uso da tecnologia

“Procuramos sempre melhorar os resultados, investindo em novas tecnologias e conhecimento, mas nunca perdendo o foco do custo de produção, já que as margens de lucro encontram-se muito apertadas. A participação em palestras, cursos e seminários fazem parte do dia a dia”, revela.

Como vê o êxodo rural

“A vida no campo é mais simples, mais tranquila e consequentemente mais prazerosa. Os sons são de canto de pássaros, o correr do riacho e, mesmo assim, o êxodo rural continua muito forte. Tem-se a falsa ilusão que na cidade tudo se resolve, mesmo sabendo dos custos, das poucas oportunidades, baixos salários, transito

caótico e total falta de segurança. São muitas as causas, como o envelhecimento da população rural, a falta de incentivos ao homem do campo, tamanho da propriedade, insegurança quanto a posse da propriedade, entre tantos fatores sociais, políticos e institucionais”, afirma Márcia.

Atenção ao agronegócio

“Nada na agricultura é estático, nem mesmo os bons e maus momentos. Atualmente vivemos um período que temos que ter cautela no planejamento e cuidados na lavoura. Doenças, pragas e invasoras mais agressivas, resistentes, e produtos de pouca eficácia. Os custos com sementes de alta tecnologia, mas preços abusivos

nos obrigam a entrar com precaução nestas novas variedades. Precisamos com urgência de parceiros protetores ao agronegócio, com a escolha de dirigentes e políticos ligados ao setor realmente comprometidos. Não temos que arcar com a falta de organização social em relação aos índios, quilombolas e sem terras”, destaca.

Futuro

“Quero acreditar num futuro melhor para as próximas gerações, que meus sobrinhos herdem o amor pelo trabalho no campo e dias mais seguros e melhores. Que nossa classe se una para termos mais força e representatividade”, conclui Márcia.