Clima favorável para o trigo na Região Sul

A safra de trigo começa agora na Região Sul (PR, SC e RS), onde está concentrada mais de 90% da produção nacional. A expectativa é de redução de área, mas com aumento no rendimento de grãos favorecidos pelo clima seco e frio.

A área de trigo deverá ser 11% menor no Paraná (Deral/PR) e 15% menor no Rio Grande do Sul (Emater/RS) em relação a 2015. Contudo, a expectativa é de altos rendimentos nas lavouras, que podem chegar a produtividades 25% maiores do que na última safra, com trigo de qualidade no mercado (Trigos & Farinhas). A explicação para as projeções otimistas é o clima favorável aos cultivos de inverno que começa a se desenhar nos próximos meses.

De acordo com o agrometeorologista da Embrapa Trigo, Gilberto Cunha, o fenômeno El Niño, responsável pelos prejuízos nas duas últimas safras, está encerrando seu ciclo, afastando com isso o risco de umidade e excesso de chuva nos cultivos de inverno. “A previsão é de um ano neutro ou com a chegada da La Niña no segundo semestre. Um cenário bastante favorável para a triticultura na Região Sul, já que o tempo seco diminui o risco de doenças fúngicas e a germinação na pré-colheita, fatores que deverão resultar em maior rendimento e melhor qualidade final dos grãos”, explica Cunha. Segundo ele, um ano neutro também pode resultar em economia com defensivos, quando há menor incidência de doenças e, assim, demandar menor investimento em proteção de plantas.

Geadas

O frio também deverá ser mais intenso no próximo inverno. Conforme Gilberto Cunha, em geral, os anos de La Niña são mais frios porque as massas de origem polar entram com maior facilidade no continente. Assim, as geadas podem ser mais frequentes entre os meses de julho e agosto. “As geadas, em alguns aspectos, são positivas para as culturas de inverno, já que atuam no controle de plantas daninhas remanescentes do verão e reduzem o metabolismo e o ciclo de surgimento de pragas. Todavia, quando as geadas ocorrem no espigamento do trigo, os danos geralmente são irreversíveis”, avalia Cunha.

O que preocupa os produtores rurais são as geadas do tarde, que podem causar a morte das espigas. O potencial de dano varia conforme a época de semeadura do trigo, quando coincide o evento geada com o momento do espigamento do trigo. Podem causar danos no final de julho no trigo do norte do PR, no mês de agosto nas lavouras da região Noroeste do RS, ou a partir de meados de setembro no Planalto do RS. As estratégias para escapar do risco de geadas são o escalonamento do plantio, o uso de cultivares de diferentes ciclos de maturação e seguir o zoneamento agrícola que orienta a melhor época de implantação das lavouras nas diferentes regiões do sul do País.

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Acerto nas previsões

A média de acerto das previsões meteorológicas atualmente está acima de 90% nas previsões de curto prazo – até três dias. As informações sobre o tempo e a temperatura podem são importantes para a tomada de decisão no campo, determinando o melhor momento para a aplicação do fertilizante ou dos produtos de proteção de plantas. “Não basta abrir a janela para ver o tempo, é preciso buscar informação nos institutos que trabalham com meteorologia, como o INMET e o CPTEC INPE no Brasil, e tomar as decisões embasadas em orientações da assistência técnica. As previsões de e tempo e clima são aliadas que estão a serviço dos agricultores”, finaliza Gilberto Cunha.

(Fonte: Joseani M. Antunes/ Núcleo de Comunicação Organizacional – Embrapa Trigo)