Se você já se alimentou hoje, agradeça a um produtor rural

É com muita tristeza que estamos vendo uma escola de samba do Rio de Janeiro, chamada Imperatriz Leopoldinense, criticar, denegrir a imagem do AGRONEGÓCIO BRASILEIRO, e ao mesmo tempo enaltecer os indígenas do Parque Indígena do Xingú.

Para produzir alimentos, nós, os produtores rurais, colonos, agricultores, pecuaristas, como queiram nos nominar, iniciamos nosso trabalho muito antes do sol nascer. Seja com sol escaldante ou embaixo de chuva, estamos aqui, trabalhando para produzir alimentos, para abastecer as prateleiras dos supermercados. Nosso trabalho não será encerrado às 18 horas, muitas vezes nosso descanso se dá altas horas da noite, sem domingos e feriados.

Com certeza, os compositores desse infeliz samba enredo não conhecem o trabalho do agricultor para produzir o alimento, seja ele qual for: desde a carne do churrasco, cerveja e caipirinha do final de semana, ao arroz, feijão, polenta, macarrão, verduras, legumes, frutas, chocolate, pizza, sorvete... Produtos que não nascem nas prateleiras dos supermercados, assim como tecidos, cola, borracha e tantos outros.

Em uma das alas dessa escola de samba que se chamará “Fazendeiros e seus Agrotóxicos”. Percebemos nitidamente o desconhecimento ao setor agropecuário, pois já fazem muitos anos que não são utilizados nas lavouras agrotóxicos que contaminam o solo e a água. A realidade é bem outra. Hoje, nós, produtores rurais, somos os maiores protetores da natureza, sabemos dar valor a terra, pois é dela que tiramos nosso sustento e alimentamos o mundo.

Outra ala será chamada de “Olhos da Cobiça”. Cobiça? Quem mataria a fome destas milhares de pessoas, se não fosse a vontade de produzir cada vez mais alimentos, vontade essa que milhares de produtores trazem nas veias, principalmente o produtor gaúcho. Não fosse isso, estariam passando fome, o que ainda não está descartado para o futuro, se os ambientalistas não reverem as severas Leis Ambientais, que tanto massacram quem trabalha no setor primário. Já pararam para pensar como se alimentariam se parássemos de produzir? De cascalho? Folhas de árvore? Algo sintético, quem sabe?

No Brasil, há uma inversão de valores, parece-nos que o errado é que é o certo, a começar pela política. Hoje, o assistencialismo é tão grande em nosso país, que é mais fácil dar o peixe do que ensinar a pescar. Os indígenas, que ocupam 12,5% do território nacional, sendo a em grande maioria terras agricultáveis, não produzem alimentos, recebem cestas básicas, inclusive com ajuda em dinheiro, com o qual compram a sua cachacinha, produzida por quem? Produzida pelos agricultores, produtores rurais, colonos, em apenas 8% do território nacional destinado à agricultura.

Portanto, antes de fazer um simples comentário, procure informações a respeito do assunto, e antes de qualquer coisa: SE VOCÊ JÁ SE ALIMENTOU HOJE, AGRADEÇA A UM PRODUTOR RURAL.

Jair Dutra Rodrigues

Presidente Sindicato Rural de Passo Fundo